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Espiritualidade

Simpatias de ano-novo: as tradições do réveillon brasileiro e de onde elas vêm

Por Equipe DarpanaAtualizado em 4 de outubro de 20267 min de leitura

As simpatias de ano-novo mais populares no Brasil são pular sete ondas, comer lentilha, guardar sementes de romã na carteira, comer 12 uvas à meia-noite, vestir branco e colocar dinheiro no sapato. São tradições culturais e afetivas, que expressam desejos para o novo ano, sem garantia de resultado.

Quando o relógio se aproxima da meia-noite de 31 de dezembro, o Brasil vira um grande ritual coletivo. Milhões de pessoas vestem branco, correm para o mar, separam as uvas, guardam a romã e conferem se o dinheiro está mesmo dentro do sapato. Mesmo quem diz não acreditar em nada costuma fazer pelo menos uma simpatia, só por garantia.

Neste guia você vai conhecer as simpatias de réveillon mais tradicionais do país, aprender como fazer cada uma e descobrir de onde elas vieram, porque muitas têm origens surpreendentes, da Itália à Espanha e às religiões afro-brasileiras. Encare tudo como tradição, brincadeira e forma de colocar intenção no ano que começa. Simpatia não garante dinheiro, amor nem sorte: o que muda a vida são as escolhas que você faz nos outros 364 dias.

Pular sete ondas

É a simpatia mais famosa do réveillon brasileiro. À meia-noite, ou logo depois, a pessoa entra no mar até a altura das canelas e pula sete ondas, fazendo um pedido ou agradecimento a cada uma. Muita gente pula de frente para o mar e sem dar as costas para ele, por respeito.

A tradição tem raiz nas religiões afro-brasileiras, especialmente na Umbanda, e é uma homenagem a Iemanjá, a rainha do mar. O número sete é considerado sagrado em muitas tradições e, na Umbanda, lembra as sete linhas. A partir dos anos 1950 e 1960, as homenagens a Iemanjá nas praias do Rio de Janeiro, especialmente em Copacabana, se espalharam e ajudaram a transformar o costume em tradição nacional.

Quem não está na praia pode adaptar: algumas pessoas pulam sete vezes no chão de casa, outras fazem os pedidos com uma bacia de água com flores. O que vale é a intenção.

Cuidados no mar à noite

Entre só até a canela, nunca sozinho, e não entre depois de beber. O mar à noite é perigoso, as ondas podem ser fortes e é difícil enxergar correntes. Crianças devem ficar sempre no colo ou de mãos dadas com um adulto. Se for deixar flores para Iemanjá, prefira flores naturais, sem plástico, celofane ou arames.

Vestir branco no réveillon

Vestir branco na virada é um costume que o Brasil tornou seu. A cor é associada à paz, à pureza e a recomeços. Nas religiões afro-brasileiras, o branco é a cor de Oxalá e é usado em homenagens a Iemanjá. Quando os umbandistas passaram a fazer festas na praia de Copacabana na noite de 31 de dezembro, vestidos de branco, o hábito chamou atenção e foi adotado por toda a cidade e, depois, por todo o país.

Hoje muita gente também escolhe a cor da roupa, ou da roupa íntima, de acordo com o desejo para o ano: amarelo para prosperidade, vermelho para paixão, verde para saúde, rosa para amor. Se você quer escolher a sua, veja o nosso guia das cores do ano-novo.

Comer lentilha

A lentilha na ceia é herança italiana. No norte da Itália, a tradição é servir lentilha com cotechino ou zampone, embutidos de porco, na noite de 31 de dezembro. Os grãos pequenos e redondos lembram moedas e simbolizam fartura. Os imigrantes italianos trouxeram o costume para o Brasil, especialmente para São Paulo e para o Sul.

Como fazer: muitas famílias comem uma colherada de lentilha logo depois da meia-noite, fazendo um pedido de prosperidade. Outras guardam alguns grãos crus na carteira durante o ano.

Sementes de romã

A romã é símbolo de fertilidade e abundância desde a Antiguidade, presente em tradições judaicas, gregas e cristãs, por causa da enorme quantidade de sementes. No Brasil, uma das versões mais conhecidas da simpatia diz para comer nove sementes, guardando três na boca, três na carteira e jogando três para trás, fazendo pedidos. Outra versão manda simplesmente chupar sete ou nove sementes e guardá-las secas na carteira.

A romã também é muito usada no Dia de Reis, 6 de janeiro, em homenagem aos três Reis Magos. Há quem guarde as sementes da virada e as troque nessa data.

As 12 uvas da meia-noite

A tradição das 12 uvas vem da Espanha, onde se consolidou no começo do século XX. Em Madri, as pessoas comem uma uva a cada badalada do relógio da Puerta del Sol à meia-noite. A explicação mais citada é uma grande safra de uvas em 1909, que os produtores aproveitaram para popularizar o costume.

No Brasil, a versão mais comum é comer 12 uvas fazendo um pedido para cada mês do ano. Algumas pessoas guardam as sementes na carteira. Se você vai fazer com crianças, corte as uvas ao meio: comer muitas uvas rapidamente pode causar engasgo.

Dinheiro no sapato e na carteira

Colocar uma nota ou moeda dentro do sapato na virada é uma simpatia de prosperidade muito popular: a ideia é começar o ano pisando em dinheiro. Algumas pessoas preferem uma nota de valor alto, outras uma moeda dourada. Uma variação é guardar uma nota na carteira durante a virada e não gastá-la durante o ano.

Outras simpatias da mesma família incluem guardar uma folha de louro na carteira, ligada à vitória e à prosperidade, e segurar uma nota ou uma taça de champanhe na mão à meia-noite.

Outras simpatias populares de ano-novo

Além das grandes tradições, cada família e cada região tem suas próprias simpatias. Estas estão entre as mais conhecidas.

  • Entrar o ano com o pé direito: subir numa cadeira ou num degrau e descer com o pé direito à meia-noite.
  • Jogar champanhe para trás: para deixar o que é ruim no ano que acabou, cuidando para não molhar ninguém.
  • Comer carne de porco e evitar aves: a crença popular diz que o porco fuça para frente e a galinha cisca para trás.
  • Abrir portas e janelas: para deixar sair as energias velhas e entrar as novas.
  • Escrever uma carta: anotar o que você quer deixar para trás e queimar com segurança, e escrever os desejos para o novo ano e guardar.
  • Banho de ervas ou de rosas brancas: muito comum no fim da tarde de 31 de dezembro, como limpeza e preparação.
  • Pular sete vezes com uma taça na mão: versão da simpatia das ondas para quem está longe da praia.

Simpatia funciona?

Simpatias são práticas culturais e simbólicas. Não existe garantia de que comer lentilha traga dinheiro ou que pular ondas traga amor. O valor delas está em outro lugar: elas reúnem a família, criam memórias, ajudam a encerrar um ciclo e convidam a pensar no que você realmente quer para o próximo ano.

Se quiser aproveitar esse momento de forma mais concreta, use cada pedido como ponto de partida para uma meta: um pedido de prosperidade pode virar um plano para organizar as finanças, e um pedido de saúde, a decisão de marcar aquele exame atrasado. E desconfie de quem vende simpatias ou trabalhos com promessa de resultado garantido.

Respeito às tradições religiosas no réveillon

Muitas das simpatias mais queridas do réveillon brasileiro nasceram nas religiões de matriz africana, como as sete ondas, a roupa branca e as flores para Iemanjá. É bom lembrar disso com gratidão e respeito. Se você encontrar uma oferenda ou uma cerimônia na praia, não mexa, não pise e não fotografe sem permissão. Para quem pratica, aquele é um momento sagrado.

Perguntas frequentes

Qual a simpatia de ano-novo para atrair dinheiro?

As mais populares são comer lentilha depois da meia-noite, guardar sementes de romã ou uma folha de louro na carteira e colocar uma nota ou moeda no sapato durante a virada. Vestir amarelo também é associado à prosperidade. São tradições simbólicas, sem garantia de resultado: o que de fato melhora as finanças é planejamento ao longo do ano.

Por que se pulam sete ondas no ano-novo?

A tradição vem das religiões afro-brasileiras, especialmente da Umbanda, e é uma homenagem a Iemanjá, a rainha do mar. O número sete é considerado sagrado e lembra as sete linhas da Umbanda. A cada onda, faz-se um pedido ou agradecimento. O costume se espalhou a partir das festas de Iemanjá nas praias do Rio de Janeiro.

Quantas sementes de romã devo guardar?

Não existe um número único. Uma das versões mais conhecidas usa nove sementes: três para comer, três para guardar na carteira e três para jogar para trás, fazendo pedidos. Outras falam em sete sementes ou em três. Muitas pessoas guardam as sementes até o Dia de Reis, 6 de janeiro, ou até o réveillon seguinte.

Por que se veste branco no réveillon?

O branco é associado à paz e aos recomeços e é a cor de Oxalá nas religiões afro-brasileiras. O costume se popularizou no Rio de Janeiro, quando umbandistas vestidos de branco passaram a celebrar a virada e homenagear Iemanjá na praia de Copacabana. Depois, o hábito foi adotado por pessoas de todas as crenças no país inteiro.

O que não fazer na virada do ano, segundo a tradição popular?

A crença popular recomenda evitar comer aves na ceia, porque ciscam para trás, não entrar o ano com o pé esquerdo, não começar o ano com a casa ou a geladeira vazias e evitar brigas na virada. Essas são superstições culturais. Do ponto de vista prático, o mais importante é evitar entrar no mar depois de beber e cuidar das crianças na praia.

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